O inesquecível ator Robin Williams completaria 64 anos

O inesquecível ator Robin Williams completaria 64 anos, se estivesse vivo.

Robin Williams teve um fim trágico, cometendo suicídio no dia 11 de Agosto de 2014.

O ator, porém, durante sua vida teve grandes personagens e deixou mensagens que nada tem a ver com o seu final, tanto na TV, no cinema, como em suas apresentações de stand-up.

 

Robin Williams sempre foi marcado tanto pela alegria, quanto pelo seu talento em usar o improviso no humor. Essas qualidades foram apresentadas logo no seu primeiro sucesso na TV como o alienígena “Mork” na série “Happy Days”(1978), seguido do seu spin-off “Mork & Mindy”(1978-82). A série de humor com ficção científica, foi um grande sucesso e alavancou Williams, mostrando ao mundo sua vocação para a comédia.

 

No cinema sua carreira foi muito extensa e rica, mas certamente o que mais ficará na memória do grande público são os seus trabalhos em personagens emotivos cercados de grandes lições de vida, como nos filmes “Sociedade dos Poetas Mortos”(1990); “Gênio Indomável”(1998); “Patch Adams”(1999) e “Bom Dia, Vietnã”(1987), trabalho em que o ator conseguiu ser profundo e tocante.

 

Segue abaixo matéria especial da revista Rolling Stone, após a sua morte, seu amigo Tom Hanks deu um bonito depoimento que vale a pena ser relembrado, sobre a época em que se conheceram durante as gravações de “Happy Days”:

 

Meu Amigo Robin

 

Por Tom Hanks

 

A lenda é verdadeira. Em 1978, o falatório começou no set de Happy Days. Naquela semana, a supercelebridade de Fonzie foi ameaçada por um estranho de outro mundo. O cara que fez o alienígena era hilário. Não, mais do que hilário, era o Furacão do Humor. Executivos da Paramount apareceram para um ensaio rápido, minutos depois de avisar os mandachuvas da ABC de que algo impressionante estava acontecendo: o nome desse “algo” era Robin Williams.

 

Happy Days tinha um cronograma de trabalho de cinco dias: ensaios de segunda a quarta, ajuste de câmera às quintas, filmagem do episódio diante de duas plateias diferentes na sexta. Quem tinha os ingressos naquela semana testemunhou uma movimentação semelhante à que aconteceu quando um jovem caminhoneiro de Tupelo, Mississippi, cantou “That’s All Right, Mama” nos estúdios da Sun Records. Na noite de sextafeira, depois de o público ter ido embora, com os ecos das risadas ressoando no estúdio da Paramount, uma cena final curtafoi filmada na varanda de Richie Cunningham [o personagem de Ron Howard na série]. Uma voz sem corpo disse ao ET vivido por Williams que ele estava sendo enviado ao futuro para continuar estudando essas criaturas curiosas da Terra. Na temporada seguinte, estreou Mork & Mindy e Williams apareceu na capa de revistas em todos os Estados Unidos.

 

Meu seriado Bosom Buddiesfoi gravado de 1980 a 1982 no Palco 25 da Paramount. Williams estava do outro lado da rua, no número 27. Pensávamos no que acontecia ali, esperando conseguir ver o cara que tomou conta da cidade com a capacidade de sua mente. Um dia, ele foi a um de nossos ensaios e ficamos paralisados como se fossemos bailarinos tontos e ele fosse Baryshnikov. Williams não poderia ter sido mais gracioso, engraçado ou respeitoso e nos tratou como colegas. Você não esquece uma sensação tão boa quanto esta. Quando você o conhecia, ele era divertidíssimo, passando a bola tão livremente quanto Michael Jordan – a diversão era um esforço em equipe. Ele gritava enquanto seus filhos imitavam uma criatura de Star Wars e cantava junto com a esposa. Era um homem atencioso e gentil que fazia com que conversar fosse muito fácil, sem esforço algum. Era uma ótima companhia. Seus olhos, quando não estavam apertados ao rir, mostravam o desgaste de nossa geração e nossa profissão, os demônios enfrentados, os duros quilômetros percorridos. Ele tinha uma sabedoria nascida de todas as queimaduras e cicatrizes da vida e era engraçado quando esse era o assunto.

 

Se nunca nos esquecemos de como as pessoas nos fazem sentir, então nós nos lembraremos de Robin Williams para sempre. O fato de ele ter nos deixado é uma tragédia em muitíssimos níveis, e as raízes de nossa tristeza são profundas demais, como as causas da partida dele. No entanto, em vez de um réquiem para um fenômeno, um ícone, um cara generoso, vamos lidar apenas com isto: nunca mais teremos Robin Williams nos fazendo rir, bem ali, naquele palco, fazendo com que nos sentíssemos tão bem.

 

FONTE: http://rollingstone.uol.com.br/edicao/edicao-97/robin-williams#imagem0

Comentários